quinta-feira, 16 de abril de 2009

nude


















Nunca sei do que mais gosto,


não sei se é da noite se é do dia,
se é da chuva se é do sol,
Se é do prato visto cheio,
se do corpo manso por ele.
Se é de gritar se é de conter,
Se é de encalhar onde me deito,
se de fluir vivo e correr,

Se é do prudente amarelo vivo,
se do exuberante vermelho morto,
se do branco a provocar o derrame,
se de lhe calar o vazio ao desenhar um rio.

'Conquanto ,

Que não seja o que nunca é
e que seja o que está ao pé,
Que a sombra se aproxime se arder
mas o sol não se esqueça de aparecer.
Que nada pareça o que não é
e que o desejo apareça de pé.

sugerido pelo ritmo de uma música e por Padre António Vieira
"querei só o que podeis e sereis omnipotentes"


Nude - Radiohead

89 comentários:

Arabica disse...

Sentada a gostar.


A degustar.

ze disse...

ainda bem que já não estás chateada!

:)

eu agora estou a gostar de comer,
depois vou gostar de estar a correr,
e depois de estar a fumar,...

(isto é que é vida)

Arabica disse...

Eu?

Chateada?

e porquê?

Bom apetite, boa corrida, bons fumos.

Essa caixa depois de aberta não devia levar com eles, pois não?

C. disse...

O duro é quando nao estamos sabendo o que gostamos, o que nos dá prazer. Espero isso tenha cura hoho

sweet kiss sweet ze

ze disse...

Arábica,

A razão do teu chateio fica trancado no baú dos segredos fúteis.

E qual é a caixa a proteger?
A de comentários? A de Pandora?
E quem são eles?
Os fumos?
Há fogo?

Bom dia!

ze disse...

Cris,

É duro sim enquanto dura!
São tempos pelos quais se terá sempre de passar.
Mas convêm ir construindo os meios capazes de fazer esse tempo de indecisão mais curto quanto possível.

Beijo também para você,
E obrigado pelo sweet elogio.

Arabica disse...

a caixa toráxica, Zé.


:)


é grande esse teu baú?


Eu só guardo as insignificâncias importantes.

ze disse...

Arábica,

Já fumei três, dois e um maço por dia e sei que quando habitualmente corro ou nado diariamente, isso me “limpa” uma parte.
Se estiver a fumar dois, sinto-me (aerobicamente) da mesma e na mesma forma que quando fumo só um e não corro ou nado.
Se for três vai para um e meio, dois. Se for só um já não me lembro.
Às vezes, nem sempre também “puxa” por fumar um bocadinho menos.

O meu baú das coisas fúteis é muito pequenino e ainda bem que é para permitir espaço de manobra ao restante.
Mas ainda assim existe. Tem um limite quando enche, transborda.
Por exemplo, lembro-me que ontem ao almoço comi maruca assada com arroz de feijão. No entanto, a memória do almoço de quarta feira já deve ter transbordado.

Eu não acho correcto prefixar com "in", as significâncias importantes.
Nem de adjectivar de importantes as insignificâncias.

ze disse...

Arábica,

Já fumei três, dois e um maço por dia e sei que quando habitualmente corro ou nado diariamente, isso me “limpa” uma parte.
Se estiver a fumar dois, sinto-me (aerobicamente) da mesma e na mesma forma que quando fumo só um e não corro ou nado.
Se for três vai para um e meio, dois. Se for só um já não me lembro.
Às vezes, nem sempre também “puxa” por fumar um bocadinho menos.

O meu baú das coisas fúteis é muito pequenino e ainda bem que é, para permitir espaço de manobra ao restante.
Mas ainda assim existe. Tem um limite quando enche, transborda.
Por exemplo, lembro-me que ontem ao almoço comi maruca assada com arroz de feijão. No entanto, a memória do almoço de quarta feira já deve ter transbordado.

Eu não acho correcto prefixar com "in", as significâncias importantes.
Nem de adjectivar de importantes as insignificâncias.
;)

Arabica disse...

Em duplicado para eu tomar mais atenção? :)

Cigarros. Fiz-te a pergunta, porque eu, fumo logo depois do yoga (e a Alexandra a abrir-me os seus olhos de incredulidade perante tal falta de juizo), fumo logo que saio do mar, revigorada de ondas e sal, fumei quando em Andorra há meia duzia de anos atrás, pratiquei trecking. Fumo nas piores situações: quando abri os pulmões, libertei muito do fumo, enfim. Disse-te o que me dizem a mim habitualmente.

Adjectivo de importantes porque para mim o são, embora para os outros sejam, insignificâncias.

O que eu não acho correcto é ter fama de ter estado chateada e nem sequer ter o proveito.

Nem sequer saber.

Estou a ficar bruta, escapam-me as subtilezas.

ze disse...

O duplicado foi daqueles enganos que acontecem, mas se serviu para tomares mais atenção, sempre ganhou algum desígnio.
(o segundo tem um smile a piscar o olho, que eu acrescentei sem me ter apercebido ou recordado que já tinha carregado no "publicar").

É tudo verdade, infelizmente.
Posso só acrescentar também os cigarros de manhã.
As horas de sono também são um período de regeneração dos pulmões para os fumadores.
Uma das formas de avaliar o nível de vicio é saber o numero de cigarros que o fumador consome nas primeiras quatro horas do dia.
Digamos que é mais difícil largar o vício para quem fume dez cigarros de manhã e vinte na totalidade do dia, do que para alguém que fume quarenta mas só cinco de manhã.

ze disse...

Tá entendido as (in)significancias .
Eu diria só que se são para os outros e não para ti deviam ser eles a chamar-lhe assim e não tu, mas por outro lado também se percebe que o uso comum de uma “linguagem” facilite a comunicação.
Eu também quis provocar chamando o vermelho de morto, mas sem resultados.

O “chateada”, pode ter sido só por um segundo, tempo insuficiente para sequer te aperceberes, como pode de facto nem ter acontecido.
Estou limitado das minhas técnicas de percepção dessas coisas, pelo que se acertar será mais do que por instinto por mera sorte.
No entanto pareceu-me pela rapidez da tua reacção (mimado) ao ter-te chamado de teimosa.
Apesar de ter apenas classificado assim a atitude e não a personalidade, que obviamente não tenho meios de saber ou julgar. Nem jogo a adivinhas.
E dispensa o proveito de estar chateada, que isso não presta.

Quanto ao escapar de “subtilezas”, estão geralmente associadas a distracções, ou seja, a pensamentos focados noutros assuntos.
Não me parece de todo que sejas bruta! :)

Alien8 disse...

Ze,

Obrigado pela explicação sobre a obra e respectivo suporte, e pela descrição do acompanhamento daquela partida, por sinal em bom local e com bom petisco...

Ia jurar que já tinha comentado este post, mas se calhar carreguei no botão errado :)

Vejo que mudaste a imagem - mas não o estilo. Ainda bem.

Um abraço.

Arabica disse...

Pois...fumar...muitos de manhã.
Nunca fumar contudo a meio da noite ou quando, já de pijama, se deita. O vicio está muito associado à escrita. Ao pc.

Quando no meu emprego passou a ser proibido fumar na sala de trabalho, passei por um período negro. Era como se não conseguisse pensar. Aliás, viciei-me em tabaco nas horas de trabalho(comptadr, telefone, cinzeiro ao lado, caneta e papéis em frente), pois quando saía era difcil conciliar as tarefas seguintes (domésticas na sua maioria) com cigarros.

Fumo muito quando aqui estou.

Não me chateio por me chamarem teimosa. Habituei-me d tal forma a que mo chamem que não estranho. :)

Desta vez, como eu desde o inicio dizia ter quase a certeza que era a Simone, e tu dizias o mesmo que eu :) então seríamos ambos teimosos.

O mimado veio da aplicação do "já".

Lembrei-me de um post teu em que referias querer música já.

Tipo menino mimado :)


E eu deixei-te sem ajuda dois dias, para ver se fazias uma birra e te mandavas para o chão... ;)

Eu percebi perfeitamente a provocação do vermelho morto e do amarelo vivo.

E atenção: às vezes ou bruta.

:)

há quem de mim já dissese o seguinte: tipo elefante em loja de vidros.

Tem dias.

A sensibilidade também tem direito a folga :)


Beijos, bm fim de semana.

ze disse...

Alien,

Por quem sois?!
Eu uso de toda a liberdade para responder o que e como quero, e ultimamente também até a de não o fazer.

Comentaste no (na caixa do) “No comments” (quatro a baixo).

Quanto ao petisco, infelizmente, o cozinheiro apesar de muito meu amigo, não me servia habitualmente nada que me tenha deixado saudades.
Em parte devido à política do café preparada para servir a mini dose de salada às senhoras da hora de almoço ou a “hamburguer” com batatas pré-congeladas.
Aos domingos à tarde no verão havia uns petiscos preparados com mais tempo, a puxar ao preço de turista e aos quais não me era dada opção de recusa.
Lá perto havia outro poiso frequente, bem mais autentico e intimo mas sem televisão, pois como dizia o dono era “sitio para conversar”, onde se serviam cerca de dez refeições ao almoço do mesmo “que eu e as minhas filhas comem”.

A este propósito da comida lembrei-me de um documentário que muito me impressionou pela crueldade da experiência exposta.
Um chimpanzé recém-nascido e órfão de mãe era colocado num espaço fechado onde se encontravam duas simulações do corpo da mãe.
Uma era constituída por uma estrutura de arame com um biberão acoplado cheio de leite.
A outra era uma estrutura semelhante, mas revestida de uma superfície peluda e quente, mas sem biberão.
O bébé encontra na segunda a sua fiel escolha, da qual nunca sai nem para beber o leite.
E morre!

Suponho que a mudança de imagem a que te referes seja a da fotografia do perfil, que se não me engano já é a sexta em apenas cinco meses.
Considerando que não vai ser possível vir-me a identificar com uma só imagem, é muito provável que essa mudança se venha a tornar num devir.
Tal com o padrão/prefixo constante (zé) das minhas alcunhas em permanente mudança.

(abraço)

ze disse...

Arábica,

Pois é, o vicio do tabaco tem as suas inevitáveis constantes.
Eu (também) me identifico com essas características do teu vício.
Nasceu como complemento do café depois de almoço, expandiu-se solidamente às restantes refeições e aos poucos foi marcando presença essencial em todas as minhas actividades quotidianas (ou não).
Como que se um banho de mar ficasse incompleto sem aquela pontuação final.
Mas a associação ao pensamento foi a mais terrível.
“Este problema está difícil de resolver”, acenda-se um cigarro para ajudar.
“resolvi este problema” acenda-se um cigarro para comemorar!

A grande força da nicotina como droga é precisamente a sua versatilidade.
Se não me engano é a única (ou das poucas) capaz tanto de excitar como acalmar.
É tão poderosa na componente de dependência psicológica como na física.
Etc...

Frequentemente só é encarado com seriedade o abandono permanente do hábito perante a radical escolha entre vida e a morte.
O fumador entende o largar definitivo do cigarro como o perder de uma parte de si,
Porque se desenvolveu com o cigarro na mão e na boca,
Ele está presente em todas as suas memórias marcantes, em todos os seus gestos, em todas as suas conversas, em todos os seus prazeres.
Inconscientemente é encarado como privar-se voluntariamente de ter prazer,
De continuar a ser quem é.
É uma ***** ** *******!!!

ze disse...

Arábica,
Em relação ao rápido diálogo sobre a Simone, não acho que tenha sido exactamente assim,
Mas a comunicação por escrito tem as suas especificidades, pelo que as habituais reconstruções à posteriori das conversas por palavras, não fazem aqui sentido.

Considero que tanto o “mimo” como a “teimosia” são características que em geral não se devem colocar estanques nas prateleiras dos defeitos ou das virtudes.
Dependem da ocasião, do momento, do motivo, do objectivo, da intensidade, da persistência e de muitos mais “ivos”, “dades” e “ências”.

Quanto ao meu (mimo) admito que exista ainda que muito longe dos contornos do estereotipo.
Tal como o “menino”,
absolutamente sim mas também rigorosamente não.

Tal como a impaciência do “já” com a paciência (persistência) do “sempre”.
Depende também dos “ivos”, das “dades” e das “ências”.

Apto aos confrontos e aos encontros.
Análise do auto-conhecimento feita.
Por agora.

(tudo tem direito a folga, fim de semana e descanso, para se revigorar)
(a natureza é o mais claro ensinamento)

(bom fim de semana, apesar de que seja bem provável que ainda vá escrevinhar na caixa do teu actual ultimo post, antes que a próxima semana nasça)

Arabica disse...

Zé, às vezes, aparentemente, nós, eu, enqunto arábica e tu, enquanto, Zé, parecemos partilhar de conversas de surdos.

Aparentemente.

Concordo de resto com as tuas considerações sobre os "ivos" as "dades" e "ências".

E gosto muito de te provocar
assim, desta forma benigna, à conversa e ao diálogo.

Lá fica a caixa de comentários, à tua espera ou à espera de quem mais, me dê o prazer da visita.

Não estranhes ainda assim, ausência ou demora na resposta.
Estou de partida, apenas uns dias e não sei de todo, da disponibilidade temporal, embora preveja que a visita diária se mantenha.

Tempo de mar e alfarrobas.


E de meninas :)

Um abraço, Ze, bom fim de semana.

ze disse...

eu sou SEMPRE enquanto zé,
ainda quando me custe.

;|

Arabica disse...

Boa noite!!

Então esse comentário "prometido" ficou adiado?
:)

Não guardes para amnhã o que podes fazer hoje :)é um ditado muito antigo e guardar para a próxima semana, não promete nada de bom. :)

Espero que o teu domingo tenha sido bom.


Um abraço, Zé Sempre.

ze disse...

O “comentário” deu meia dúzia de voltas na minha cabeça, mas não saiu para os dedos.
Provavelmente, já terá cumprido o seu papel (de consolidação), por agora.

Há certos temas que para mim são demasiado sérios para serem entendidos como meras provocações insolentes.
Digamos que pela leitura dos demais comentários, não me pareceu ser o sítio e o momento para dizer o que quero.

O domingo (como 74) já passou,
A chuva que choveu já se entranhou na terra e o sol que aqueceu já se pôs.
Desejo-te uma boa semana e em especial uma boa segunda-feira.

(o "zé sempre" é uma tentativa de lançamento de alcunha?)
:)
muitas se lançaram, poucas poisaram

Arabica disse...

Não é.
Tu não precisas de lançamentos alheios para (novas) alcunhas.
Também não vejo no "Zé" necessidade de mudança, o que de todo é uma mera opinião pessoal, fundamentada na certeza que não foi, não é, o teu nick que inspira à comunicação escrita, mas sim todos os conteúdos de que ele se vai engordando, formatando, opiniões, dúvidas, formas de estar, interrogações, sensibilidades, preocupações, arabescos, músicas.

Tens razão, há assuntos tão sérios que qualquer provocação, a sê-lo, terá que estar enquadrada num cenário mais profundo que a insolência. Mas só o tempo muitas vezes nos dá a conhecer a razão.

"Não sei se sei" onde, porquê e a quem uma vez dei uma resposta dessas. Não ser o sitio indicado.
E indicando o sítio apropriado, nunca houve encontro ou desencontro.

Talvez, por vezes, haja necessidade de se ser um elefante numa loja de vidros, para, de uma vez por todas, se deixar as ideias tomarem conta dos dedos.

Basta uma voz dentro de nós sussurrar a dúvida sobre o local e o ambiente apropriado, para a censura, a nossa própria censura nos limitar.
E no entanto, estamos num país livre. Contra sensos.

Ainda assim, percebo perfeitamente os contornos desta tua resposta.

Mas se o meu post e aquela caixa de comentários deixaram de ser o melhor local, poderei sugerir-te, caso as ideias acabem num golpe de estado nos teus dedos, criares tu próprio um post sobre o assunto.
Ou, deixá-las lá impressas de qualquer forma. O blog não há-de ter um avc por essa razão.
:) metafóricamente e inspirada por palavras tuas, se a louça se partir naquela pastelaria :) logo se há-de substituir os cacos por novas chávenas de café...ou...como estamos em crise, eu com a minha paciência zen, os hei-de colar...
Logo se vê. Nem tudo pode estar programado, controlado e devidamente regulamentado.



Obrigada pelos votos de boa semana, especialmente de boa segunda feira. Espero que a terça feira, seja também, da mesma forma muito especial.

E espero que a tua semana seja igualmente boa.

Um beijo

ze disse...

Sei lá eu do que é que preciso! à posteriori (depois de o ter) será concerteza mais fácil de identificar.
Como já disse anteriormente algures, o “eu” é algo que na sua parte ou vertente que só é visível do exterior, me está vedada na sua expressão directa.
Nesse sentido, é com atenção e interesse que leio as apreciações de mim construídas pelos outros, nomeadamente aquelas que por consenso de um grupo e pela consolidação de um tempo, se sintetizam numa alcunha.
Foi um tema tratado em partes na primeira fase deste blogue.

Por outro lado (ou será pelo mesmo?), o “zé” precisa realmente de mudar não de “eu” mas de ambiente, não por descontentamento com o actual mas pela sua real inexistência, que não foi satisfatoriamente substituída pelo virtual.
Outro tema recorrente deste blogue.
Vazio.

É nesse e com este contexto que a simples menção da palavra “nick” me causa instantaneamente uma alergia gutural.
Alerta vermelho de incompletude, de engano, de erro.

(continua)

ze disse...

Não provocação mas antes algo mal entendido e por isso “sentido” como tal.
Como grito que seja.
Que não é.
Há sempre uma “cultura” necessária a qualquer um para poder entender “algo”.
O que se diz não É o que se quer dizer mas o que é entendido.
Dai a importância do conhecimento do “ouvinte/leitor”, do contexto, do ambiente, do que envolve.

O sitio e o tempo apropriados para “dizer” até pode bem ser uma loja de porcelanas mas seguramente uma em que eu veja e ouça o quebrar dos finos cacos e sinta impotente o descontrole da minha própria tromba.
De outra forma, estar-me-ia a encolher ao nível de um curto nick.
Não mereço isso.

Ainda assim esteve perto de acontecer, não fosse eu ter de sair de casa em determinado momento, e entretanto ter pensado um bocado e a conversa na “caixa” ter seguido outros rumos.
Há coisas que acontecem, outras que não.

Não foi de todo por força de nenhuma censura, mesmo que de “auto”, bem antes pelo contrário.
Lê (relê) o poema chamado “liberdade” do Pessoa, e não te voltarás a esquecer do que me move cada vez que disser “ ...de não o fazer”.

ze disse...

O destaque que dei à segunda-feira, tem o duplo sentido do que é mais presente mas também do poder que tem o começo, na definição de um movimento, de uma inércia,
Que desejo, assim genericamente, de positiva.

Apesar da continuidade do tempo não permitir classificações de “começos”.
Nem no “big bang” que ainda que seja o principio do espaço não o é do tempo.
O infinito é um conceito muito abstracto mas fundamental.

Beijo

Anónimo disse...

ó zé... dasse, estás cada vez mais complicado. no entanto os desenhos estão melhor, e já não desenhas só caixotas e as tuas mãos um bocado feiosas.
falas de tudo carago, biologia, astro física, filosofia e ainda o sentido da vida.
'O infinito é um conceito muito abstracto mas fundamental.' vai-me à loja.

rs

Arabica disse...

Zé,


http://omj.no.sapo.pt/Forum/poema_liberdade.htm

partilhas da análise?


Mais logo, ainda cá volto.


Beijo

Arabica disse...

http://omj.no.sapo.pt/Forum/poema_liberdade.htm

ze disse...

Anónimo,
É engraçado como fiquei para aqui a tentar perceber quem serias, baseado apenas na probabilidade de alguém que eu conheça razoavelmente, usar determinadas palavras ou expressões em conjunto.
Claro que não cheguei a nenhum ponto sólido, apesar do uso de “carago” afastar por completo todas as possibilidades de conhecimentos a norte, pois nenhum nortenho se conseguiria escapar do “lh”, mesmo que na situação que lhe viesse a trazer maiores incómodos.
Se me fixar no “dasse” e no “rs”, coloco-me quase na certeza de outro hemisfério, Mas não sei.
Sei é que o “vai-me à loja” apesar de ser uma expressão para mim completamente desconhecida, não augura ser nada de bom.

Seja o que fôr,
para ti também!

Aparece mais vezes, de preferencia com a repetição de uma marca linguística para te possa identificar mesmo no anonimato.

ze disse...

Arábica,

Partilho claro, sobretudo na leitura da ironia, mas não quando considera querer ele “dizer o contrário”.
Mas são palavras e como te disse, elas transformam-se (completam-se?) no momento da leitura.
Um poema lido por um milhão de pessoas são na realidade milhões de poemas, porque quando alguém o reler, já o entenderá de forma diferente da anterior.
A subtracção da referencia a Séneca, transformou da mesma forma o poema editado num outro diferente do escrito.

Puseste-me aqui um tema demasiado extenso, com vários caminhos, que se desbravariam muito mais rápido no mundo real, ou oral.

O poema foi escrito em 35, ano da morte com (apenas) 47 anos, sendo natural por isso o sentido de balanços de vida, como o do que podia (devia) ter feito e não fez.
A referencia a Séneca pode bem estar aí, no sentimento de dever cumprido, mas também pode estar, tal como a ironia, no valor do preço real pago de uma vida vazia de vida, obrigado sem opção a ser mero instrumento de escrita de um turbilhão de pensamentos que o invadiam como a um médium.
Ironia de desprezo pela honras ou méritos de mártir, sacerdote ou herói e pela rapidez com que a desdenharia se o tivesse podido fazer.

ze disse...

No aspecto de entender a ironia como ele estando a dizer o contrário, o “crítico” não se mostra muito coerente com a tese de ele estar a gozar com Caeiro.
Parece mais ele a assumir-se como Caeiro, em tom de conclusão de vida real e literária.

Resumindo,
o fracasso está na má gestão que fez dos aspectos complementares da vida,
Talvez aí a confusão de conceitos (palavras) entre contrário e inverso, simétrico ou complementar.
O mal e o bem, o gostar e não gostar serão contrários, Mas o dia e a noite, a acção e a espera (na bruma), o sol que seca e cria,.... são tudo inversos complementares.
E ouve uma parte da vida dele (a da dança) que sacrificou pela da missão das finanças e da biblioteca.

Isto tudo foi sobre a crítica ao poema e não tanto sobre o poema, pelo menos na parte que lhe havia pegado- a (liberdade) de não o fazer,
Que seria outra conversa...bem diferente.

Ou sobre a tal referencia ao Séneca e à aceitação e cumprimento do papel que nos está predestinado como (única) forma de alcançar a liberdade (a paz, o descanso, a realização)
Que seria ainda outra conversa.. completamente diferente.

Manifesta-te sobre qual era exactamente o assunto que pretendias que eu desenvolvesse.

beijos

Anónimo disse...

nem é assim tão dificil zé.
eu até acho que sabes, a contenção no léxico foi intencional. a amélia censurou um comentário meu por ter escrito asneirolas feias. só as do costume no entanto, nunca passou de um boçal.
faz parte do alter-ego virtual. só que eu não sabia.

até já,
rs

ze disse...

Anónimo rs,

Na verdade era mais fácil que fácil, era óbvio,
não fosse eu ter confundido a assinatura,
com uma abreviatura de riso que é muito usada
nalguns grupos da comunidade virtual em alternativa ao “juvenil lol”.
Eu confesso a minha preferência pelo “rsrs” talvez porque me sugira um tipo de gargalhada com prevalência do som “iiiii” de descontrolo tímido em detrimento do som “óóóó”, mais típico de galhofa parva.

Como considero que o litoral norte começa só em Esmoriz, até nem falhei mas ficou tão perto. E tudo por causa do “carago” tão típico de filmes sem bolinha e de sulistas em tentativas ridículas de imitação da espontaneidade das gentes do norte.
Por aqui não há restrições ao asneiredo pelo que o melhor é que o uses na mesma medida que o fazes entre amigos, que é onde estás.
Doutra forma, posso voltar a não te reconhecer, o que não parece ser do interesse de nenhum dos dois.

Será o “até já” reflexo de uma campanha publicitaria a uma rede móvel nacional?
Fico à espera de um prefixo desses ou doutros mas que mostre um número com menos algarismos do que tem sido habitual nos últimos anos.
Desejo de que esteja tudo de boa saúde tanto contigo como com as respectivas ascendência e descendência.
Abraço.

jc

Rui disse...

Já tentei várias vezes, mas confesso que não sei o que dizer - da imensidão de coisas que não sei, é das mais frequentes.

ze disse...

Rui,
E no entanto, não deixaste de o fazer (dizer).
A mim também me acontece por vezes no fim da leitura dos teus textos.

Espero que mo perdoes da mesma forma que te perdoo a ti! :)

Rui disse...

Ámen.

Abraço.

Arabica disse...

Zé,

não foi possível voltar ontem.
Mas com o link aqui deixado, pretendia ao teu " Lê (relê) o poema chamado “liberdade” do Pessoa, e não te voltarás a esquecer do que me move cada vez que disser “ ...de não o fazer” contrapor, igualmente com uma pergunta: leio através de que olhar? Qual a vertente escolhida?





Um abraço

ze disse...

Arábica,

No caso do meu olhar será melhor tentar entendê-lo pela leitura do (meu) comentário anterior, se é que foi suficientemente explicito.

No entanto, anseio pela diversidade de opiniões (justificadas).
Penso que a interpretação pessoal é uma capacidade a carecer de estímulo nas mais variadas escolas e grupos sociais.

Fica bem

Arabica disse...

Zé,

houve falhas de comunicação entre leitura e escrita de comentários.
Lacunas originadas decerto pelo pouco tempo que me restava.

Cheguei,li e reli.

Cambiantes que me tinham escapado, enquanto te ia lendo fora de casa, hoje, ganham novos contornos.

Somos livres de comentar
e do mesmo modo, de não comentar.

Não existe obrigatoriedade de resposta, visita, ou seja o que fôr.

Mas ressalvo: gosto de te ler.

Perceberás a minha pergunta sobre o mesmo (comentário), se me visualizares numa perspectiva de ingenuidade (desconhecendo como te sentias)e numa atmosfera de respeito mútuo (que existiu sempre) sobre as opiniões que cada um de nós poderá ter, relativamente a todos os temas que possam ser abordados.

Espero.

Também concordo contigo relativamente às carências de estímulos para as diversas interpretações pessoais.

Não só não são estimuladas, como têm vindo a ser consideradas perigosas, subversivas, na medida em que podem pôr em risco organizações, grupos, alianças e demais associações ou qualquer outra coisa, objecto dessa mesma interpretação pessoal.

Tudo o que possa vir a agitar águas estagnadas ou paralizadas -submetidas a uma determinada ordem-pode ser assustador sob o ponto de vista de um utilizador mais resistente à mudança.

Pensar é transgredir.

De resto, julgo que não preciso falar da importância que os livros têm para mim (à falta de curso superior ou licenciatura ), bem como da importância do sol, da importância de "aparentemente" não se fazer nada, da importância dos deveres cumpridos e do não menos importante momento em que boicotamos o tempo e a ordem, para nos deleitarmos com os seres que nos rodeiam, com o universo que pulsa sob os nossos pés e sobre as nossas cabeças.



Sou pelo contrabando entre a vida (vivências) e o conhecimento (conceitos).


E não gosto que me digam: fica bem.


Boa noite, Zé.

ze disse...

Arábica,

Resolvi que desta vez iria responder-te detalhadamente, desconstruindo todos as palavras, conceitos e significados que uso ou usei, de forma a minimizar todos e quaisquer possíveis mal entendidos.
Claro que isso pressupõe também uma leitura atenta da tua parte, que exige tempo mas não só.
Exige fundamentalmente vontade e esforço de te “pores no lugar da outra pessoa e do que a rodeia e contextualiza naquele momento”.
E tempo.
O meu comentário espera o tempo necessário a uma resposta, mas não espera por nenhum tempo desnecessário do género do “vamos lá ver como reage à espera”.
Espera pelo tempo real de uma vida que não sendo a minha, não lhe conheço os contornos e disponibilidades.
E que não sabendo confia, até prova em contrário.
Espera o tempo da leitura e das releituras julgadas necessárias, mas fundamentalmente espera e respeita o tempo necessário à fermentação e à organização da certeza da resposta adequada.
Nesse sentido espera muito tempo, no outro (o chico esperto; o provocatório) não espera nenhum.

(claro que continua)

ze disse...

Sobre este ultimo comentário e depois de o reler, acho que me resta pouco espaço de resposta,
tanto pela absoluta sintonia com o que escreveste:

“Não só não são estimuladas, como têm vindo a ser consideradas perigosas, subversivas, na medida em que podem pôr em risco organizações, grupos, alianças e demais associações ou qualquer outra coisa...”

como por pensar que demonstras o entendimento da necessidade das pessoas se conhecerem para que a comunicação que se venha a desenvolver, seja produtiva e real.
Pois (mais uma vez) te apresentas, mostrando o que de ti não seria fácil ou possível saber de outra forma.
Espero que entendas que também o faço, na medida e no momento que vou achando necessário.

Vou por isso completar comentários anteriores que possam estar incompletos ou ambíguos, como o tal que disse achar “muito provável eu o fizesse” e não fiz.

(continua)

Arabica disse...

Sem te querer interromper, mas aproveitando uma pausa tua.

Não confundas insulto que poderá ser um sinónimo de provocação, com,
"provocar: incitar, desafiar, produzir, promover, determinar" que são os verbos que pretendo que entendas quando digo que gosto de te provocar de forma benigna (a origem está vinculada ao facto de tu no inicio teres esclarecido que não sabias muito bem como ia o blog crescer, uma vez que tinhas perfil de comentador).

Não gostaria que o termo provocação, vindo de mim, pudesse ser confundido com insulto.

Nunca.

Também não confundas o meu sentido de humor, quando brinquei contigo, "menino mimado", "já" etc. Estava a brincar contigo e até comigo: a sensação parola e sedutora da liberdade aos 26 anos.
Estava bem disposta, contente pela minha ida próxima para o algarve e apeteceu-me brincar contigo. Julgo que o bom humor é tão importante na vida como a seriedade.

Podes acreditar quando te falo em tempo disponível. E és suficientemente inteligente para saberes que muitas vezes, podemos estar em qualquer lado, mas os nossos pensamentos estarem a milhas. Trocamos as mãos, trocamos os pés e eu tenho um defeito péssimo: escrevo espontaneamente. E salvo. Salvo erro, cometi diversas gafes a semana passada.

Posso ter um nick que não é o meu nome,mas sou eu, sempre eu que respondo. Não gosto de cusquices e por isso, neste blog optei por um nick embora os meus comentadores, na sua maioria saibam o meu nome.
Aqui estou, com as minhas qualidades, os meus defeitos, as minhas distrações e com a minha cabeça no ar(às vezes).
Assim sou eu.


Vou sair para cumprir as minhas obrigações morais e de coração.


Até logo,

ze disse...

Abrindo essa tua resposta datada de 17 de abril, fico com aquela sensação já habitual ao ler os teus comentários, que se assemelham a uma granada projectada em pequenas partes e muitas direcções diferentes.
É dessa dispersão que nasce a dificuldade de responder completamente, pelo menos em poucas palavras.
Esta é logo a primeira razão detectada para desaconselhar a minha resposta ali naquele momento, pois se a intenção era responder ao teu comentário escrevendo em função do que conheço de ti, dada a delicadeza do assunto, seria sempre natural que outros o pudessem sentir como indirectas a si ou à sua “geração”.
Gosto muito de directas e nada de indirectas.
Também aí o ambiente se revela desadequado, pois o directo pede-me dois pares de olhos a partilharem o mesmo instante de tempo/ espaço e não apenas um de cada vez e dois ou mais monitores de premeio.
Os mal entendidos, evitam-se. Na antevisão da balança do a ganhar e do a perder.

A contextualização das “gerações” também me pareceu inevitável que viesse à baila e esse é um tema ao qual eu por principio fujo, como à segurança de pertença a grupos em geral.
Digamos que gosto de ser entendido na minha particular individualidade e não na comum facilidade falsa e enganatória da identificação de um grupo, seja ele qual seja.
Como tal e por educação e principio, fujo a fazê-lo também aos outros.

(continua)

ze disse...

De qualquer forma,
SE tivesse sido expontâneo,

aquilo que me apeteceu dizer ao “grupo” que já ali havida comentado, seria concerteza sobre a continuidade das sociedades no tempo e sobre a sobrevalorização (que cria ilusões) das datas, dos instantes;

sobre as constantes de todos os momentos que antecedem revoluções ou trovoadas;

sobre as diferenças face a 74 que existiriam se e caso venha a acontecer em breve alguma coisa parecida a uma revolução;

voltar a bater na mesma tecla das eventuais desvantagens para o presente da mistificação de um acontecimento tão longe do presente e das suas actuais necessidades;

de que aqueles que tão confortavelmente instalados no seu sofá vendo o mundo na tv por cabo através de belos pasmas, pensando-se seguros de que as mudanças não os afectarão a si nem aos seus mas aos outros (capitalistas?!), apenas baseados na segurança do seu emprego E ao facto de estarem no sítio certo, do lado certo, à 35 anos atrás.

Quando posteriormente disse que
“Há sempre uma “cultura” necessária a qualquer um para poder entender “algo”...”
referia-me a esse (des)entendimento da actual política social (da rua, dos instintos de quem não está bem, no presente); que não é a “cultura” dos livros e das licenciaturas.

Para comunicar é preciso saber a “cultura” do outro, pois isso é que vai definir o entendimento do que se vier a dizer.

(continua)

ze disse...

e continuo mas já não deve ser hoje,
mas amanhã num segundo fôlego.

entretanto, uma boa noite.

Arabica disse...

Zé,

os temas também têm diversas frentes, daí, julgo ser possível, a possibilidade de dispersão.

Mas vou tentar disciplinar-me.


:)


Prometo lentidão na leitura e lentidão igual na escrita.

Boa noite, um beijo.

Anónimo disse...

avisa quando andares pelo norte ou pelo sul. prometo que desta vez vou tentar, com mais força, responder.

o número com menos dígitos está a caminho. a descendência também se aproxima em bom ritmo. a descendência (paradoxalmente) também se aproxima :)

um abraço,

rsrs
(risota despegada)

Anónimo disse...

e até já foi sempre a forma como (não) me despeço. aos amigos digo sempre até já. porque o tempo em que não nos vemos não é relevante. não gosto de encomendar a deus as coincidências (que todos sabemos não existirem). vou-me embora que estou a ficar contagiado pelo ambiente deste blog.
até já,
rs

ze disse...

Arábica,

A palavra “cultura” quando a uso não tem o significado político (que apoia, não apoia, financia, não financia,... ), nem do elitista definidor de “pessoa culta”,
mas o significado de todo o contexto único e irrepetível de cada vida, de cada pessoa que define o modo (individual) como ela sente e observa o que a rodeia.
Claro que há culturas que se aproximam e outras que se afastam,
Porque “no meu tempo era assim”, “na minha rua era assim”, “em minha casa foi assim”, “no momento em que aquilo aconteceu, eu estava a viver um período tal...”.

( a propósito de significado de palavras e de (in)eficácia da comunicação)

(outra palavra- fazer; “não fazer”)
(e depois outra- “liberdade”, ou não)

ze disse...

O “não fazer” pode ser activo e o “fazer” pode ser passivo.
O “não fazer” pode ser construtivo e o “fazer” pode ser destrutivo.
Pois as acções são pequenos parciais de todos maiores, que por sua vez são parciais de outros maiores ainda.
E há todos maiores que uma só vida.
E por aí adiante, sempre encontrando um outro maior ainda, num processo infinito, sem fim.
E por outro lado,
Um infinito de subdivisões possíveis, encontrando na medida a que cada momento (da evolução técnico- cientifica) permite, algo mais pequeno em medida de espaço, de tempo ou do que fôr.
Um observar minimamente ambicioso obriga ao uso sistemático de um zoom capaz de aproximar microscopicamente, para logo a seguir afastar até à percepção do contexto que envolve a “imagem” anterior. E vice-versa.
Zoom de espaço, de tempo e do que mais fôr.

ze disse...

Sobre a “liberdade” apetece-me contar a opinião que ouvi ontem na televisão, de dois estrangeiros que vivem em Portugal.

O primeiro era o Richard Zimler, um escritor americano (nova-iorquino) que vive no Porto, e que tal quanto percebi pela leitura de um livro dele (que é smi- autobiográfico), optou por viver em Portugal por nenhuma razão particularmente relacionada com qualquer empatia ou admiração pelo clima natural ou social, mas apenas porque para o trabalho dele é relativamente indiferente onde vive mas para o seu companheiro conjugal, que é português e advogado ou coisa assim, não é.
Questionado sobre como entendia o nível de liberdade permitida em Portugal, ele achou-a excessiva.
Acha que as pessoas se aproveitam da liberdade que lhes é concedida (pela sociedade), para transgredir arbitrariamente, egoisticamente, ou coisa assim.
Não cheguei a perceber se ele se referia a uma cultura mais genericamente europeia, que permite beber vinho pela garrafa num jardim público, mesmo que aparente ter menos que dezasseis anos,
Ou se se referia antes a algo menos superficial, como a permissão (permissividade) social (independentemente da Lei) relativamente a “enriquecimentos ilícitos” ou “fugas ao fisco”.
Em Portugal, “ganhar dinheiro” dá estatuto e todas as dúvidas sobre a forma como o conseguiu é entendido socialmente como “inveja e má língua”.
Eu não sei que não vivi antes de ter nascido, mas... será que em Portugal sempre foi assim? Quando mudou?

ze disse...

A liberdade tem dessas coisas,
É uma palavra como as outras e como tal, e conforme a “cultura” de cada um, é entendida de maneiras muito diferentes.
Há quem entenda ser poder fazer o que lhe apetecer; há quem entenda que ela acaba onde começa a do outro;...

Liberdade, democracia, ... e outros palavrões muito ditos e repetidos, para mim são termos muito relativos, que só podem aspirar a ser realmente valorizados, perante um contexto de uma cultura colectiva de respeito pelo outro individual e pelo eu colectivo, social.
Até lá vivemos no limbo do sub-coisas que não temos e não somos, e pior, não vamos na direcção de vir a ser e a ter.

ze disse...

A outra entrevistada era uma senhora inglesa, francesa, belga,... não me lembro.
Mas que escolheu realmente viver em Portugal, em boa parte pela energia libertária que aqui se sentia, e que segundo ela lhe permitia não se sentir julgada, censurada,..
Também acho que não percebi muito bem, se era algum sentimento de nudista ou quê.

Como vês a dispersão é algo difícil de evitar,
E pior é a sensação de que a necessidade de ser compreendido me retirou do suporte do diálogo e me encruzilhou no do monólogo.
Paradoxos!

(Volto mais tarde, para tentar rematar pontas)

Arabica disse...

Zé, aqui estou a interromper o monólogo, também na tentativa de esclarecer palavras :)

...eu percebi o contexto em que se inseria a palavra "cultura". Ou por outra, qual o contexto inserido dentro dessa "cultura" de que falavas. Também percebi o contexto de "escola".

Quando referi que não tinha formação académica (que foi em grande parte substituída por formação profissional, graças ao IFB)estava ainda na perspectiva de analisar o poema de Fernando Pessoa, o estudar, o ter um livro para ler. Estava a tentar dizer-te, que, enfim, embora tivesse decidido (por várias razões) não continuar a estudar, não consigo recordar-me de mim, sem a necessidade de "um" livro.

Sempre precisei muito de janelas (livros), nas diversas casas (fases de vida) que habitei.



... só agora posso ter a liberdade de ler quando quero.

E ainda assim, há dias que não.

:)

Arabica disse...

Cultura,

já me debati com essa questão.

Em que cultura -espaço- me inseria com maior à vontade, qual a que mais me tinha influeciado; é dificil escolher; perto dos 50 anos e com muita vida vivida não consigo definir-me como "filha" de uma determinada cultura; vejo-me antes "sobrinha" de várias.

Guardo em mim, pedaços desta e daquela. Fui-me construíndo devagar, entre o ser e o não ser, numa cadeia de actos (tentativa, sucesso ou erro).

Talvez a variedade de músicas que gosto, que curto, que me trazem alegria ao espirito, possam ter já denunciado essa dispersão, essa forma de ser, "sobrinha" de varias culturas...

E ainda assim, marginal a tantas outras, que apenas observo, utiizando o zoom...

Arabica disse...

Liberdade...

no tempo em que aprendi esse conceito, aprendi outros dois: direitos e deveres.

Era meu dever respeitar os direitos dos outros.

Era dever dos outros, respeitar os meus direitos.

Liberdade é um conceito, que pressupõe responsabilidade, assim sendo.


Depois de ter abordado assim de forma abstracta a liberdade e antes de abordar o conceito liberdade em Portugal e olhando o mundo [através de um ecran de tv comprada em 1992], muitas vezes, no conturbado verão passado, perguntei quem teria dado tanto poder a determinados senhores do mundo tão incrivelmente irresponsáveis...

Quem teria semeado a cultura do sucesso financeiro rápido?
Quem teria semeado a cultura dos haveres?
Quem teria dado inicio ao oportunismo, quem teria aliciado tantos cérebros à corrupção, à vulgar vigarice, que raio de febre seria aquela a açoitar o mundo?


E só agora, depois da perspectiva mundial, poderei usar o zoom, para a cultura ocidental e ainda com mais zoom, chegar a este jardim à beira mar plantado...


-o zoom foi muito bem lembrado por ti :)

ze disse...

Pois é,
Era sobretudo uma tentativa de realçar a importância na comunicação dos significados das palavras. Mesmo não se tratando de regionalismos.
Eu trabalhei com um patrão na (aparente) maior das à vontades, mas só um dia é que soube que o pior que lhe podiam chamar era estúpido, muito pior do que filho da prostituta, que isso na terra (cultura) dele era perfeitamente aceitável.
Convêm saber essas coisas, hás de concordar.

Ainda à muito pouco tempo a meio de uma conversa com um amigo, com quem vivi em proximidade muito tempo, que me devia conhecer muito bem e eu a ele,
Saiu-se com uma do género “olha que ela é muito (mesmo muito) culta!!!!!”
Como quem diz, merece à partida sem a conhecer, mil vénias de joelhos.
“esgar de cara feia da minha parte”- “eu quero bem lá saber disso”- pensei.
Ainda se fosse a madre teresa de calcutá que é muito (muito mesmo) boa!
Culturas!?
Eu vivi nos açores em real descontinuidade com o meu passado e com o meu futuro, e as pessoas cujas culturas mais me impressionaram tinham respectivamente a quarta classe (61 anos) e o 6º ano de escolaridade (antigo ciclo preparatório, este com a mesma idade que eu).
Não se pode estar em dois sítios ao mesmo tempo, não se pode aprender duas coisas ao mesmo tempo.
É,
o La Palisse é daqueles que não convêm esquecer.

Arabica disse...

Seremos nós* filhos de uma revolução ou, embora o não quiséssemos, seremos ainda filhos da ignorância(cultural) reinante no passado?
Terá o nosso passado colectivo de pobreza, impossibilitado a escolha individual correcta, nas nossas vidas?

Lembro-me das histórias de percursos ambiciosos que acabaram por raiar a corrupção, porque queriam ter o que nunca tinham tido (um passado miserável levará muitas vezes às escolhas erradas na ânsia de ter?)


É desta forma tridimensional (financeira, cultural e moral) que consigo analisar, Zé, e ainda que em esboço simples, aqui fica a resposta à tua pergunta, "quando mudou"?

...mudou quando os valores mudaram, Zé.
Quando o ocidente, como por exemplo a américa, começou a exportar o conceito de sonho americano.

E todos nós* acreditamos que embora americano, podiamos usá-lo como modelo.

Mas se nem lá funcionou...



Nós* (o emprego da primeira pessoa do plural para defnir os portugueses, a massa anonima do povo, onde nos integramos)

ze disse...

(desviando-me do meu caminho, que ja retomarei antes que me perca)

será que o salazar tinha razão em poibir a coca-cola

(tou a brincar)
(com o fogo)

ze disse...

(mas é um zoom frenético sempre a aproximar e a afastar; e da maior amplitude possível)

O não me perder (antes de tentar responder às tuas questões de actualidade que entretanto já li) refere-se ainda à minha “cultura” e depois e a propósito disso a algumas interpretações que alinhavei tanto sobre o poema do Fernando Pessoa como sobre a gestão que ele fez dos seus heterónimos.

Retomarei um pouco mais tarde, ou então amanhã,
Boa noite

Arabica disse...

:)

o Salazar era um castrador.

As coca colas são bem vindas, ao contrário de modelos de sistemas de saúde, de culturas de armas domésticas e de seitas, só para fazer frente a esse teu fogo ;))

Arabica disse...

Boa noite, Zé.

Também saio.

Vou beber uma cuba-libre! :)

ze disse...

(o fogo não é meu)
(eu era quem estava a brincar com ele)
(com o que não se brinca, portanto)

agora é que tenho que ir

mas volto! :)

Arabica disse...

Zé, bom dia, :)

por teres falado na proibição da coca cola e de Salazar, não posso deixar de pegar nessa deixa, para te perguntar a tua opinião sobre esta analogia:

-uma ser, proibido de "tudo" até perto dos 50 anos, se um dia lhe for dado um universo vasto de "coca-colas", não terá a tentação de as querer todas? Repara, esse ser nada teve, não foi habituado a escolher, nem a perceber do porquê das escolhas: foi privado e depois foi banqueteado; o 8 e o 80; não estará Salazar e a ditadura ainda presente, nas atitudes de hoje?
Não teria sido o anterior regime, um mau pai, que não cuidou da "alimentação" do seu filho?

Probir não é educar.

Corre-se sempre o risco da desbunda tardia.

Beijos

ze disse...

Bom dia Arábica, (:

Faz o exercício de te tentares pôr no lugar de alguém mais novo que tu, nem precisa de ser muito e a partir desse ponto tenta perceber como se fará a construção mental desses períodos pré e pós 25 de Abril, baseado na informação indirecta que te chega através dos meios de comunicação ou então das experiências marcadamente pessoais de quem te é mais ou menos próprio.
O que eu acho é que a forma como chega a informação a essas pessoas (eu incluído), lhes transmite uma sensação de mundo (país, família; amigos) completamente fracturada, quase que obrigando-os a escolher um lado ou então a alhearem-se, ceguihos e autistas (da política).

E olhar para o antigo colega de carteira da escola ou do liceu, que aderiu na juventude à “luta” partidária e que hoje depois de tanta luta vive no conforto de avenças do Estado que não serão coisa pouca, nada para menos de 5 mil/mês.

ze disse...

É que nem sei por onde continue, de tão disperso que é o “delta” da foz do rio desta conversa...

Por exemplo,
o mundo das estatísticas, que é como os políticos o vêem:
Essas avenças fazem do “homem”, um “corajoso” empresário, dos poucos que “lutam” pela economia nacional, na “insegurança” do sector “privado”.
Ironias do camandro!

Outro exemplo do mundo das estatísticas:
Num período de crise indisfarçavel como este, não se pode ignorar o número crescente dos desempregados.
Nem esse “pessoal” tem medo de números, vive deles, só tem que esboçar ou retocar argumentos conforme o seu lado (o que o alimenta a si e aos seus).
Por outro lado, também há quem continue a “alertar” para o crescimento do trabalho precário (recibos verdes), mas dado o seu lado da barricada (votos, slogans) apesar de alguns o saberem, não lhes convêm dizer que quanto maior fôr a pressão legal para o contracto maior será também o desemprego.
As coisas têm que ser ditas de forma fácil que o povo é burro e convêm a todos que assim continue.
Eu para “lados” já me chega o futebol onde consigo ver todos os penalties a favor e nenhum contra.

E o mais engraçado de tudo isto,
Num mundo em que cada lado da trincheira tem os seus slogans e não lhes interessa actualizar visões para nada, porque iriam perder muito e ganhar nada,
E o centro que não é mais que simples ambição de poder (dinheiro, segurança, carro novo), e para tal também lhes chegam o antigos sologans, pois podem sempre fazer uso dos que quiserem dada a sua reconhecida ambiguidade.
No meio disto,
Já ouviste falar de estatísticas de recibos verdes sem trabalho (precário) e como tal também sem subsidio de desemprego?
É o meu caso, mas “cheira-me” não sei porquê que não serei caso único!
Para a estatistica serei provavelmente um empresário de férias. (:


(já chego à coca- cola)

ze disse...

Tinha dito que hoje não iria ver televisão mas claro que isso não é verdade e nem preciso de recorrer à fox ou ao eurosport, porque a rtp2 teve a brilhante ideia de agendar 24 horas de documentários.
E já vi quatro, um sobre o Luís Pacheco, outro sobre o maestro Lopes Graça, outro sobre guias turísticos em portugal e a forma como eles explicam a nossa história a quem nos visita, e finalmente um sobre o Sam de Kid, um talentoso músico que vive com 30 anos com a mãe no sétimo andar de uma torre de Chelas,
Que reforçou muito a minha opinião em achar que as anteriores gerações têm mais brancas, vazios de conhecimento útil sobre a vida actual do que aquela mais consensual (quase institucional) de que as novas gerações “deviam” saber mais sobre os tempos da ditadura.

ze disse...

O (Sam)uel é rapper e canta (rima) com genuína honestidade quem é, de onde veio e o que pensa.
Ele não vota em nenhum partido, nem em branco vota, aliás nem se abstem,
Porque nem recenseado é, com muito orgulho.
Onde é que ele está na estatística?
Onde é que eu estou na estatística?
Ele existe? Eu existo?

ze disse...

Na verdade, nem te respondi, porque basicamente estou de acordo contigo,
Mas também porque acho que há coisas mais importantes a dizer,
Talvez porque são presentes,
Talvez porque há poucos e com pouco poder de as dizer.

Voltando ao futebol e lembrando ma vez que me desejaste que marcasse muitos golos, como se diz a uma criança.
Eu a jogar futebol sou muito adulto além de interiorizar o espirito de equipa e isso (mesmo num jogo, a brincar) leva-me umas vezes a querer defender tudo (e ir à baliza), outras vezes a defender tudo antes que chegue à baliza e fazer o primeiro passe para o ataque (e vou à defesa) e outras a não deixar que “eles” se consigam organizar de maneia nenhuma (e fico no miolo), outras ninguém consegue marcar golos e vou lá para a frente ( e até fumo menos para o fazer bem).
Outras vezes não me importo de perder, porque algo está estruturalmente mal e essa é a forma mais fácil de entender.

Na conversação também procuro dizer o que faz falta,
Por hoje até acho que não me sai mal,
O que é que achas?

Arabica disse...

Marcar golos é agir.

Tomar posições acertadas.


Chegar onde queremos.

Saber escolher qual o melhor angulo para a abordagem.

E ainda que soframos golos injustos, ainda que não aceitemos a estratégia escolhida pelos outros, ainda que sintamos que estão a trair o espirito do futebol, ainda assim, ir a jogo.




Infantilidades minhas...?

ze disse...

Não sobre a coca-cola, mas sobre pais e filhos não resisto a voltar a falar das estatisticas, que dizem que na maior parte dos casos (mesmo nos patológicos) os filhos quando pais reproduzem padrões de relacionamento.
Se foram maltratados, maltratam;
se foram violados, violam.

Se é claro que a ditadura não é para esquecer, especialmente no que se refere aos campos de atrocidade, arbitrariedade de poder e outras desumanidades das mais variadas;
já é menos claro que os mesmos que forem profissionalmente marginalizados por terem opinião própria, quando invertidos os campos do poder, não tiveram nenhum pudor em fazer o mesmo, muitas vezes com igual arrogância e arbitrariedade.
Por mero "posso e mando, agora eu"
ou para camuflar vinganças pessoais.

(suponho que "isto" fosse hoje ontem, ou amanha, seria sempre social/politicamente incorrecto de ser dito)

Mas sim, sem dúvida que
uma cultura não muda de um dia para o outro.
independentemente dos protagonistas.

ze disse...

Eu não me lembraria de associar “marcar golos” a agir.
É a tal estória do significado de expressões ou palavras.
A não ser se pensar nalgum desporto individual com golos,

A metáfora foi usada num contexto de um jogo colectivo e complexo,
Com muitos pesos, medidas, timmings e tácticas.

Deixando o futebol e passando à vida,
Acho que sim, que é de ir a jogo,
Ainda que em cada momento o mais construtivo da direcção ao resultado pretendido, possa passar por agir,
Ou não.

Tácticas!

(os golos sofridos nunca são injustos)
(temos os árbitros e os políticos que merecemos)

Arabica disse...

Todos nós somos originários de uma determinada cultura.

Até à adolescência, raramente a pomos em causa. Depois crescemos, somos invadidos pela vida, interagimos com outros, conhecemos novas verdades, conhecemos novas formas de estar e ser, e a menos que sejamos cegos, surdos e mudos, essas vivências acabam por transformar as nossas filosofias de vida e as perspetivas que por legado e herança, foram alicerces do nosso "eu", num qualquer subproduto.

Tenho ao longo da minha vida "ensinado" muito às minhas filhas, mas seria pedante da minha parte, não referir e até realçar o quanto tenho aprendido com elas e ainda mais importante, não referir o valor inquestionável do quanto temos aprendido ao partilharmos informação, numa comunicação que sabe de premeio estar a salvo de más intenções.

Podemos sempre referir a nossa cultura originária como ponto de partida, mas a partir de determinada altura, somos nós responsáveis pela nossa conduta e até pela evolução dos que foram os nossos primeiros educadores.

A politica está intrinsecamente ligada às nossas acções diárias.
Podemos não estar filiados em qualquer partido mas termos uma postura revolucionária: sermos mais justos, mais solidários, menos hipócritas, mais altruístas, mais verdadeiros, menos ambiciosos num plano individual e mais ambiciosos a nivel do colectivo.

Estarmos despertos.

Não sei se fazia falta dizer isto.

(suspiro) ainda hoje refilo com a minha mãe, acreditas? Falo-lhe de conceitos em tudo estranhos a sua cultura. Vai percebendo alguns...

ze disse...

é muito mais fácil e produtivo ensinar uma filha do que uma mãe;
La palisse,

Concordo contigo (como quase sempre)
e até me tento deixar contaminar de algum do teu bom senso.
Espero que consiga,

agora vou dar uma volta pela cidade,

Pode ser que chova!
;)

Arabica disse...

Que toda a chuva te encontre, Zé!

:)

Arabica disse...

A propósito de alguns dos nossos comentários, já viste aquele filme "Os Edukadores"?

ze disse...

apanhei alguma (chuva),
nada de monta!

Os filmes que vi e que ainda me lembro estão quase todos no meu perfil.
com certeza que toda a regra tem excepção, mas não é o caso (não devo ter visto esse)

Sobre os muitos que vi e não me lembro, é (em principio) porque a minha memória não deve ter achado na altura que valesse a pena.

Mas não me vou esquecer de pesquisar. :)

Arabica disse...

Quanto a LaPalisse, eu até acredito que tudo já foi sentido, já tudo foi escrito e que todas as verdades relevantes já foram descobertas.

Por vezes complicamos o óbvio.

:)

ze disse...

É tudo verdade Arábica,
tenho a forte sensação de que por muito que quisesse não te conseguiria "ensinar" nada.

Tenho um novo post! :)

E deve ser provisório porque 30 segundos de música não é nada!

Mas serve muito bem para ilustrar a mudança,
os novos tempos,
as novas e criativas formas de "gerir" o comércio da música.
de sobreviver,
o podes conhecer mas não podes levar,
mas a música é fixe!
e ele mais é.

Arabica disse...

Todos têm algo para ensinar aos outros, percebeste mal o sentido das minhas palavras.

Não sou dona de nenhuma verdade absoluta, nem de nenhum reino sagrado que me poupe a angústias, dúvidas ou margem de erro.

Já vou ouvir o Sam.

Aqui fica o link dos Edukadores, caso te tenha escapado.


http://cinerama.blogs.sapo.pt/arquivo/758869.html

ze disse...

Mais uma vez correctíssima.
não é que eu tinha mesmo razão!

:)

(amanhã eu vejo com atenção o link do filme)
(agora tenho que sair)

uma boa noite

Arabica disse...

"Se é claro que a ditadura não é para esquecer, especialmente no que se refere aos campos de atrocidade, arbitrariedade de poder e outras desumanidades das mais variadas;
já é menos claro que os mesmos que forem profissionalmente marginalizados por terem opinião própria, quando invertidos os campos do poder, não tiveram nenhum pudor em fazer o mesmo, muitas vezes com igual arrogância e arbitrariedade.
Por mero "posso e mando, agora eu"
ou para camuflar vinganças pessoais."


Certo. Correctissimo, mas esqueces um peqeno detalhe: esses que perpetuam, esses que sentem necessidade de vingança, não podem ser considerados livres, nem tão pouco, possuidores de opinião própria. Já a sua forma de pensar, ser e de estar há muito foi manipulada pelos "agressores", "opressores".

Livres são apenas os que saiem de um qualquer ciclo desses, sem qualquer necessidade de vingança.


Sair é talvez a única "vingança".

O sair, a percepção magnifica, libertadora, de que se não faz parte.
De que se pertence a um outro mundo.
De que somos marginais nessa sociedade. Nessa engrenagem.

Não sei se consegui expressar a ideia.


Bom dia.

ze disse...

Quando dizes
“esses que sentem necessidade de vingança, não podem ser considerados livres, nem tão pouco, possuidores de opinião própria. Já a sua forma de pensar, ser e de estar há muito foi manipulada pelos "agressores", "opressores".”

Lembro-me que comecei esse comentário com as estatísticas dos pais maltratados enquanto filhos.
Mas sugere-me também lembrar-me da tua pergunta sobre quais são os heróis actuais, como se fosse consensual que em 74 tivesse havido muitos.
Naquele dia, na generalidade as pessoas decidiram o que fazer em função da sua educação. Só isso.
Também ouve os ”cérebros”, como o Otelo, mas sabendo o que sei hoje incluindo retalhos da sua biografia de juventude, vejo alguém com uma precoce e crescente sede de protagonismo (e inteligência), que felizmente para nós encontrou ali a forma de se manifestar.
No entanto, depois desse dia revelou-se um oportunista, com sinais de psicopata.
O que faz o herói?
Será a oportunidade que de outras vezes também faz o ladrão?

Herói, para mim, foi o Salgueiro Maia, mas pelo seu comportamento posterior.
E outros cujos nomes não ficaram para a história.
Como sempre,
substituídos pelos oportunistas- protagonistas.

Diz-me tu “se conseguiste expressar a tua ideia”.
E se eu consegui expressar a minha.

Boa tarde.

Arabica disse...

Em 1974 o Otelo para mim foi um herói. Spínola vestiu o papel de oportunista.
Em 1976 Otelo continuava como herói. Salgueiro Maia sempre, bem como todos os que na clandestinidade lutaram durante uma vida inteira, para que o 25 de Abril acontecesse.

Os meus heróis actuais são os que resistem à imbecilidade crónica.
São os que se não deixam corremper, os que não corrompem, os que não são ambiciosos, gananciosos de proveito próprio, os que se não deixam calar ou não quebram, embora fustigados.

Os que na sua vida, continuam a viver os ideais de uma sociedade mais justa, sendo eles mais justos e mais solidários.

São esses os meus heróis actuais.

ze disse...

O Otelo é um exemplo do não funcionamento da justiça e das dúvidas que recaiem sobre se é possível ter democracia sem justiça.

Porque os poderosos (e ele é um deles)têm direitos diferentes dos outros -impunidades e administias.

Podes perceber uma vontade hoje em emigrar de cá para outro sítio mais justo?

Arabica disse...

Posso perfeitamente perceber essa vontade de emigrar para um "sitio" mais justo.

ze disse...

Anónimo rs,
Estabeleci a regra que respondia aos comentários todos,
O que deve ser outra forma de dizer que falo sempre por ultimo,
Mesmo que não tenha nada a dizer.
:)

até já e que isso seja em breve que tu és o maior boa onda, meu!

C. disse...

Querido zé,
adoro seus comentários no meu CaFoFo!!

ze disse...

Cris,

fico contente com você gostar dos meus comentários lá,
eu não vou deixar de aparecer e se souber o que dizer, fá-lo-ei!

beijos