segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Desafio d’em pequenas doses

Gosto de...



nas Coisa simpes, me perder na complexidade dessa estrutura perfeita

-Dos paradoxos que tudo o que é simples encerra.


- de mergulhar e demorar-me muito a largar aquela musica de silencio.

Sobretudo a dos pensamentos. É um fascínio que me parece levar (voltar?) a um mundo em que não há palavras e os sons nos dizem tudo o que precisamos de saber.

- Encher a boca de ar, regressado à tona.

- Já poder voltar “lá para dentro”.

- De falar e brincar com as crianças quando não há adultos a ver ou a ouvir.

- Me sentir compreendido, não tanto mas mais vezes do que de me sentir amado.

- De sentir que agora tenho aquilo que antes me fazia falta, mas que não me fazia falta realmente, apenas porque não conhecia a sua existência. ainda. Esta é de gajo ambicioso.

- Encontrar o abrigo depois de longa e extenuante jornada na pradaria.

- Sair do abrigo em postura de convite à chuva, ao vento, ao olhar e a quem mais vier. Afastar-me sem olhar para trás.

- Perceber reconfortado que o mundo é redondo ao vislumbrar novamente o abrigo. Mas desta vez visto de um ponto de vista, anteriormente pouco explorado- de frente.

- Perceber que cada segundo é único através de uma rajada ou de uma mudança de direcção do vento.

- Entrar nos olhos de uma criança que nunca vi antes, e perceber que cada pessoa é única.

- Adormecer sob pesado ruído de chuva ou granizo, reconfortado e seguro que dali ninguém me quer mal.

- De comer, de beber, de dormir.

De acordar

- De perceber que nunca se pode dizer tudo, porque o que não se diz tem uma importância complementar não menos importante e porque há mais dias para dizer. e para calar.

- Perceber quando estou a fazer o que devo, no sitio que devo à hora certa.

- Perceber quando não estou a fazer o que devo, no sitio que devia.

- Pedir desculpas, assumir erros, com um prazer proporcional ao tamanho e idade da minha teimosia passada.

- Voltar a ler um livro que já li à vinte anos atrás e perceber que se mantêm todas as vantagens de uma primeira leitura e que se acrescentam todas as vantagens de uma segunda.

Não perceber que envelheço, porque todos os segundos percebo que se acrescenta muito mais e mais valioso do que o que se perde.

Perceber que a unidade de tempo da minha vida é o batimento cardíaco e não o segundo.

E que o valor cambial da troca me é favorável. Por mais frequente que 60 por minuto.

VIVER

- Descobrir- me, redescobrir-me, no meio do processo de conhecer o outro.

- Conhecer aspectos, se possível os essenciais, do sitio (múltiplo e abstracto) onde vivi, quando estou onde antes nunca tinha estado, incluindo sonhos.
- Perceber porque é que fiz algo, noutro momento diferente em que me encontro a fazer aquilo que nunca antes tinha feito.

- todos os resultados da amizade. Mesmo em cinema.

- Rir, sorrir e conseguir chorar

- Lembrar-me de quem gosto

16 comentários:

ze disse...

Depois de ter (re)lido, parece-me que do que eu gosto mesmo é de perceber.

Arabica disse...




também tenho que perceber tudo (pelo menos tento).

Daí o descobrir ser tão importante, abranger tantas frentes, tantos estados, dos espirituais aos fisicos, perceber porque se sente frio num dia de sol, perceber porque me senti quente num dia em que dancei na neve.

O silêncio.

Que já não é o cortante, das rupturas emocionais e das grandes crises existenciais, que já não é o que fere ou que nos remete ao desespero. O silêncio que nos embala e nos leva a ouvir tão bem a história que o nosso coração nos conta :)

Gostei imenso de te ler.


E também gosto de entrar pelos olhos adentro das crianças :)

ze disse...

Arábica,

O que é que eu posso dizer,... se tu por vezes percebes melhor o que eu quero dizer que eu próprio?

ze disse...

Este post tem banda sonora:

"Minha música" de Adriana Calcanhotto.

Definitivamente.

Arabica disse...

E onde está a BS que a não ouço?


ok, vou ouvir lá fora enquanto fumo um cigarro :)

ze disse...

Pois aqui não está porque eu não sei fazer quase tudo.
Por isso é que não gosto de trabalhar sozinho.

Mais tarde aprendo, se o blogue crescer e se consolidar.

A letra é maravilhosa, espero que também gostes.

rosa disse...

eu tenho grandes conversas com a música, semelhantes a estas confidencias que partilhaste.

entendemo-nos perfeitamente. só nós duas.

p.s. o post está esquisito, com uma série e de comandos ou linguagem html, nao sei se te apercebes. talvez seja da plataforma que usas, firefox, linux, mac... whatever.

p.s.2 nao conheço essa música da rebuçadinho de ananaz. é gira? as letras por norma costumam ser.

ze disse...

Eu acho que a música é um catalisador de emoções, pensamentos e até acções. Sei lá, depende, falo por mim, também não posso falar por mais ninguém.

Conversas com a música, nem são conversas com os seus autores, são conversas connosco, são pensamentos.

Se não forem testados (ás vezes)e transformadas através da comunicação com outros, podem formar espirais complexas e enriçadas.

Eu não concordo quando o senso comum me diz "tu pensas demais", mas percebo que há ali um p'rigo!

Há muito a tentação de, no relacionamento com os outros, fugir-mos a tudo o que possa "chocar", como diz o senso comum.
E deixar essas ideias como segredos nossos.
Não as dizer (por à prova) para não nos chamarem malucos, ou outros nomes mal aceites socialmente.

O que acho sobretudo de ouvir música (ou do seu efeito) é basicamente o mesmo que já escrevi (na resposta ao teu comentário do post da fotografia do touro a mergulhar), a propósito de livros ou filmes. Mas pode ser tanta coisa!
Ou seja, a música quando a ouvimos pela primeira vez (que é o que o autor nos dá) nunca tem grande valor.
Valor profundo, quero eu dizer.
Claro que o samba põe o corpo a dançar.
Ou uma boa letra põe o ouvido a ouvir, mas isso nem é muito diferente de a estarmos a ler sem música.

Agora o "estranha-se e depois entranha-se", garanto-te que é preciso ouvir muitas vezes(o numero depende).
E isso- esse resultado que interfere fisicamente com várias partes do nosso corpo- prova-me que eu faço parte disso.
Que também faço parte (activa) duma música que provoque esse efeito.

Que me esteja a lembrar, neste preciso instante- os álbuns dos Radiohead desde o "OK Computer" e os Tricky que conheço.

Claro que me estou a esquecer de muita coisa, mas a memória é de uma hierarquia sem misericordiosa.
O que pelo que estudei recentemente é um belíssimo sinal de bom funcionamento da dita.
Ainda que muita gente esteja convencida do contrario.

rosa disse...

acho que começo a perceber melhor estes longos dialectos. por vezes por preguiça ou distração leio em diagonal.

mas percebi perfeitamente. assim como o lynch.

e mais uma vez não me apetece dizer o que penso.

ze disse...

Fazes bem,

o apetite, a vontade é que comandam a vida.
Vê lá se consegues fazer uma diagonal, agora.

Aparece (com vontade)

Arabica disse...

Oh Ze, bem que podias ser um blogger amigo e por aqui a letra da Adriana Calcanhoto..


Cantavamos todos juntos, até era uma experiência original e ia trazer-te mais visitantes...que é que achas?

Anónimo disse...

Minha música não quer ser útil
Não quer ser moda

Não quer estar certa
Minha música não quer ser bela
Não quer ser má
Minha música não quer nascer pronta
Minha música não quer redimir mágoas
Nem dividir águas
Não quer traduzir
Não quer protestar
Minha música não quer me pertencer
Não quer ser sucesso
Não quer ser reflexo
Não quer revelar nada
Minha música não quer ser sujeito
Não quer ser história
Não quer ser resposta
Não quer perguntar
Minha música quer estar além do gosto
Não quer ter rosto, não quer ser cultura
Minha música quer ser de categoria nenhuma
Minha música quer só ser música:
Minha música não quer pouco.

ze disse...

Arábica,

não quer ser original (má, pertencer, sujeito, cultura)

não quer trazer mais visitantes (certa, bela, nascer pronta, mágoas, águas, traduzir, protestar, sucesso, reflexo, revelar, história, resposta, cultura)

Se vier a ser (alguma dessas coisas), não há de ser nem graças nem contra a minha vontade.

Obrigado pela "fórcinha"*, Anónimo!

*ajuda

ze disse...

E ainda,

Seguir blogue é como seguir novela da hora da noite.
Fica mais complicado que seguir novela da hora da tarde e me(s)mo que da hora da janta.

Seguir duzentos blogues deixa sempre aquela impressão que é sempre pouco e que estão dizendo o que interessa é noutros duzentos que ainda não se visitou. E....
Que stress !

E por ultimo ainda acaba confundindo as novela toda, feito Pedro Camacho no “A tia Julia e o escrevedor” .

Beijos.

Arabica disse...

Concordo contigo, sabes?


Em relação a mim, o que acontece, é que tenho muito tempo disponível, sem um emprego que me prenda, uma actividade que me consuma o tempo útil (o que pode mudar de um momento para o outro e isso dá-me garras para aproveitar este tempo intermédio da melhor forma possível).

Mas julgo que acompanhar um blog, é ir criando laços com as pessoas que vamos lendo, diaria ou assiduamente (lá vêm à baila as tais afinidades que vamos encontrando nos outros), na forma de viver, pensar,ver o mundo, sentir as guerras, ansiar pela paz.

Gosto de as visitar quando me apetece estar com amigos, ler o seu olhar...

Julgo que estou a abusar nos comentários :)) o meu tempo de antena há muito se esgotou, resta-me reler e tentar cantarolar contigo a musica da Adriana...

ze disse...

Arábica,

1º parágrafo:
Comigo,
ipsis verbis virgula aspas aspas

2º parágrafo:
tal e qual

3º parágrafo:
é quase isso.
Procuro amigos. Mais que nunca.

4º parágrafo:
Espero muito sinceramente que o teu tempo de antena nunca se esgote.
Nunca ouvi a tua voz mas garanto-te que a Adriana canta muito melhor que eu.
Limito-me pois a ouvir, que é o que eu sei fazer.
O mais aproximado que estive de cantar foi no terceira fila do coro das canções de parabéns, mexendo os lábios para o caso de alguém estar a ver.
É que nem em sonhos!

Beijos,
I'll only say it once (na verdade twice)- desculpa o tempo de resposta